I'm Jack's cancer. I kill Jack.


Bebo, fumo e escrevo.

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Minha febre aumenta. Sinto meu corpo estranho, como não se fosse meu. Odeio essa sensação de algo estar diferente. Odeio quando as coisas estão diferentes.

Gostaria que algumas coisas não tivessem mudado. Estaríamos agora deitados olhando pro teto. Mesmo teto que eu disse que pintaria e escreveria “Love will tear us apart.” Que clichê idiota. Burrice separa, não amor.

Mas a pergunta maior é: Separa o que? Nunca saberei responder. Fico aqui só. Imaginando como poderia ser e lembrando de como era. Não faz bem, mas também não me faz mais mal. As feridas fecharam, só sobraram cicatrizes que não doem mais. Exceto quando está frio. O frio é a solidão tomando forma e se apoderando de cada centímetro do corpo que jaz solitário numa escuridão fabricada em um quarto onde nada falta.

Eu quase consigo escutar a sua voz me recriminando. Provavelmente me xingaria, um ou outro tapa no rosto. Depois, fumaríamos uma boa erva, alguns caretas. Um copo de uísque só pra dar tchau pro quarto e pra casa. Pra onde iríamos? Pra qualquer lugar iluminado. Dizem que há um lugar onde as luzes nunca se apagam.

Mas no momento, fico aqui. Esperando você voltar pra caminharmos juntos até lá.


(Source: killpolly, via chaos-rampant)



(Source: vodkapirate, via endlessw0rds)


Provavelmente a essa altura eu já deveria saber. Tem certas coisas pras quais eu não fui feito. Por mais que minha vontade insista em gritar, talvez ela esteja enganada.

Talvez em meu âmago as coisas são bastante diferentes daquelas que pinto no meu corpo.A pungência na qual insisto em banhar-me talvez seja fruto dessa mentira acidental que eu mesmo fabriquei.

Por mais que eu acredite que seja um presente dos céus, não quer dizer que eu acredite que a paixão se desgaste pouco a pouco. Vou deixar você pegar meu braço e rabiscar nele. Seja com uma caneta. Seja com uma lâmina. E é bem capaz que eu fique mais admirado que com raiva.

No fim, não há nada a se fazer. É como uma prisão, onde o prisioneiro, nesse belíssimo caso, minha nada célebre pessoa, escolhe estar trancado e ainda, escolhe jogar a chave fora. Pela janela. No mar.

É terrível, eu sei. Mais terrível ainda é minha natureza inconstante. Oscilando de minuto em minuto. Até eu me cansar e tratar de oferecer minha própria cabeça num prato de prata, quem sabe.

Soa poético.

Na maioria das vezes, me sinto como alguém que não quer enxergar descrevendo coisas, de maneira egoísta e grosseira, pra quem não quer, ou não pode ouvir. E no meio de tudo isso eu ainda encontro tempo pra achar alguém para machucar e deixar pra trás.

Nada disso veio de mim.

Mas não quer dizer que não seja meu.

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

— Fernando Pessoa.

Eu gosto de ouvir o Bowie cantar.

Eu fecho os olhos e consigo imaginar cada expressão que passava pelo rosto dele na sala do estúdio. Apenas escutando a voz dele.

Não se canta como antigamente.

É infantil esperar que as coisas continuem como sempre foram. Estilos vem e vão. Criatividades se calam. Vozes se desgastam. Tudo passa. Tudo passará, não é mesmo?

Você sabe bem o motivo dessas palavras. Nossa última conversa. Ela não começou ali. Sabes muito bem. Ela começou faz tempo. Começou quando os planos morreram e as brigas surgiram.

Os dois tem parcela de culpa? Não sei dizer. Sei que a minha é bem grande. Talvez quase inteira. Mas isso de nada importa agora.

As coisas mudam. E nós mudamos. Não pra melhor, muito menos pra pior. Apenas somos diferentes. E nunca havíamos percebido isso, simplesmente por que o que nos unia era tão forte que não dava tempo pra pensar em outra coisa. E eu não falo no que nos uniu até o fim. Falo naquilo que tínhamos em comum quando nos conhecemos.

A dor.

A dor que só outro alguém com uma dor parecida ou pior pode entender. A mesma dor que só quem sente parecido pode tentar curar.

E a gente se curou. Claro que com várias outras variáveis. Mas a nossa presença um na vida do outro ajudou a acelerar e muito o processo e a dor cessou.

E ao mesmo tempo, alguma outra coisa começou a falar mais alto. E eu não tenho pretensão nenhuma de tentar entender ou nomear tudo aquilo. Basta dizer que foi o sopro de vida que um coração morto precisava pra se lembrar de tudo que não devia ter esquecido.

E por algum motivo estúpido. Alguma razão imbecil o que tínhamos se tornou segundo plano. No mesmo momento que eu descobri que minha dor ainda gritava dentro de mim. E infelizmente tive de te perder pra fazer com que ela se calasse.

Não estou aqui pra parecer arrependido, ou dizer que valera a pena ou não. Mas foi exatamente isso que aconteceu. Só não tínhamos percebido ainda.

Com nossas duas vozes que cantavam em uníssono caladas, sobrou a realidade que nunca tínhamos experimentado antes, devido ao volume de tudo aquilo que nos aproximava.

Não temos nada parecido. Somos tão diferentes quanto… Bom, quanto nós mesmos. Minha mente fraca falha em tentar achar uma dicotomia tão forte, seja criada pela natureza ou pelo homem.

Uma vez me disseram que amar tem muito a ver com um espelho. Em espelhar no outro aquilo que gostamos em nós mesmos. Outros dizem que os opostos se atraem.

Quem será que está errado?

No final das contas, eu não sei dizer. Talvez pela terceira vez você me deu adeus. E sinceramente, não acho que você vá voltar. Não espero que volte. Percebi que todo o bem que fazíamos um ao outro se esvaiu. Mas não se preocupe, por mais que minha memória me falhe e queira fazer com que eu conte apenas com os últimos acontecimentos, nunca esquecerei cada passo que deu comigo. Segurando minha mão e apontando a direção.

Talvez se não fosse isso eu não estaria escutando Bowie cantar nesse momento.

Ele continua a cantar.

De um jeito que não se canta mais.


(Source: observando, via kirchels3n)



(Source: nitewing04, via chaos-rampant)